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Sócrates tentou comprar o correio da manhã e o público

A relação conflituosa de José Sócrates com a comunicação social sempre esteve em evidência, como têm revelado as sucessivas investigações das quais o ex-primeiro-ministro é alvo. José Sócrates planeava comprar o Correio da Manhã para silenciar as notícias sobre os escândalos que se via envolvido (em 2009), assim como, alegadamente, terá tentado que a PT comprasse a TVI, num esquema de controlo dos meios de comunicação portuguesa.

A Visão vem agora revelar que o ex-primeiro-ministro também tentou comprar o jornal ‘Público’. Ouvido no âmbito do inquérito da Operação Marquês, que tem José Sócrates como um dos principais arguidos, o presidente da Sonae e filho de Belmiro de Azevedo, Paulo Azevedo, terá revelado que Sócrates lhe propôs que o grupo Lena, do amigo Carlos Santos Silva, comprasse o ‘Público’, tendo Armando Vara como intermediário. José Sócrates terá ficado irritado com as sucessivas notícias a seu respeito naquele jornal, nos anos em que era governante, em especial as que davam conta da polémica com a sua licenciatura na Universidade Independente, dos projetos assinados por si na Guarda que eram da autoria de outros engenheiros e técnicos e das suspeitas de fraude fiscal na compra do apartamento na Rua Braancamp, em Lisboa.

Apenas Vara poderia intermediar o negócio

Segundo revela a Visão, José Sócrates ligava “zangado” a Paulo Azevedo sempre que surgiam notícias pouco abonatórias a seu respeito no ‘Público’. Era sabido que o grupo Sonae queria vender o diário, pelo que Sócrates eventualmente sugeriu um comprador, que apenas Armando Vara, na altura líder do BCP, poderia revelar. Era o grupo Lena. A proposta foi prontamente negada por Paulo Azevedo por “não ter ‘reputação’ na comunicação social, nem garantia de independência do poder político, nem ‘credênciais de boas práticas de Estado”. O procurador Rosário Teixeira, que ouvia o filho de Belmiro de Azevedo no DCIAP, neste testemunho prestado em 2015, mostrou-se interessado no facto de apenas Armando Vara poder dizer quem era o comprador.

O grupo Lena viria a financiar o lançamento de um jornal, o i, pouco menos de um ano depois desta alegada tentativa de compra do Público. O diretor do jornal à altura, José Manuel Fernandes, nunca escondeu que o ex-primeiro-ministro tentava silenciar as notícias do Público e que terá chegado a ameaçar jornalistas. Sobre o alegado esquema, José Sócrates, Armando Vara e oo grupo Lena negam tudo.

As primeiras suspeitas de um esquema de controlo da comunicação social, por parte de José Sócrates, surgiram em 2010, no decorrer das escutas a Armando Vara, no âmbito do processo Face Oculta. Foi extraída uma certidão, tendo o então presidente do Supremo Tribunal de Justiça, Noronha do nascimento, ordenado a destruição das escutas. Mais recentemente, na investigação do caso BES, por mero acaso foram encontrados documentos no Haitong (ex-BESI) de uma reunião onde se terá discutido a compra da Media Capital, dona da TVI, agora comprada pela Altice. O negócio entraria em marcha com a compra do grupo por parte de um consórcio formado pelo grupo Lena, o Taguspark e um grupo de investidores angolanos.

A chamada Operação Aljubarrota (o nome do negócio) foi confirmada ao DCIAP pela responsável do banco, que afirmou que reuniu com Rui Pedro Soares, na altura administrador da PT e acionista do Taguspark, com o intuito de discutir a compra da TVI. Rosário Teixeira pediu então à Assembleia da República a documentação sobre o caso e ao tribunal da Relação do Porto, que decidia os recursos do processo face Oculta, que lhe fossem entregues as escutas a Armando vara.

Sócrates sempre negou qualquer esquema, certo é que a Operação Marquês já veio revelar que, mesmo depois de sair do cargo, o ex-primeiro-ministro usou a sua influência para decidir quem lideraria o Jornal de Notícias. Conversas e SMS, já reveladas pelo CM, mostram que quando Proença de Carvalho assumiu a liderança do grupo Global Media (JN, DN e TSF), Sócrates recomendou Afonso Camões para dirigir um dos jornais do grupo, dizendo que o que é preciso é “um tipo que obedeça e não faça perguntas”.

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