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Sócrates e Vale de Azevedo, diziam verdades e mentiras exactamente com a mesma cara e a mesma convicção.

Sócrates não distingue a verdade da mentira

Há 8 anos, era José Sócrates ainda primeiro-ministro, escrevi uma crónica onde lhe chamei «o Vale e Azevedo da política».

Porquê?

Conhecia pessoalmente os dois, falei com eles em várias ocasiões, e percebi que tinham uma característica em comum: não distinguiam entre a verdade e a mentira.

Diziam verdades e mentiras exactamente com a mesma cara e a mesma convicção.

Não se podia afirmar que ‘mentiam’, pela simples razão de que os seus códigos mentais eram outros.

(…) Mas, voltando ao nosso Vale e Azevedo, quando comparei José Sócrates ao ex-presidente do Benfica não o fiz inocentemente: sem o dizer, quis sugerir que ele poderia ter o mesmo fim.

E disse-o a vários familiares, para que ficasse registado: «Depois de Sócrates sair do Governo vai ser preso, como foi Vale e Azevedo depois de sair do Benfica».

Esta previsão assentava em quê?

No conhecimento pessoal que tinha de Sócrates e no que sabia dos sucessivos casos obscuros em que o seu nome aparecia sempre envolvido.

Fora o aterro da Cova da Beira, o Freeport, o Face Oculta, o Tagus Park…, já não falando do diploma da Universidade Independente e dos mamarrachos.

No Freeport tudo apontava na sua direcção – e acabou por escapar por entre os pingos da chuva.

O Face Oculta foi uma vergonha, com a tentativa de silenciar alguns jornais e de usar a PT para comprar a TVI, para expulsar Manuela Moura Guedes e José Eduardo Moniz.

O Taguspark constituiu um escândalo que nunca foi devidamente valorizado: Sócrates ‘aceitou’ ser apoiado por Figo no mesmo dia em que este celebrava um contrato milionário com uma entidade pública!

Por estas e por outras, foi-se percebendo que José Sócrates, tal como não distinguia entre a verdade e a mentira, não destrinçava entre o bem e o mal, podendo envolver-se nas maiores trapalhices.

E a cumplicidade com pessoas que foram caindo nas malhas da justiça, como Armando Vara ou José Penedos, não ajudava nada.

O aspecto mais estranho nesta história é a total falta de cautela com que agiu, como se estivesse certo da sua impunidade.

Os passos que foi dando tornaram-no um suspeito óbvio aos olhos da Justiça.

Como é que um homem que esteve ininterruptamente na política durante 15 anos, com rendimentos modestos, poderia comprar um andar num edifício de luxo, adquirir um apartamento em Paris no XVI bairro, viver um ano sem trabalhar numa cidade caríssima, oferecer almoços e jantares a numerosas pessoas em bons restaurantes, viajar constantemente em Executiva, comprar um carro topo de gama?

Como? José Sócrates expôs-se em demasia. Claro que, até ser condenado, será presumivelmente inocente.

Mas a quantidade de informação que a investigação acumulou sobre ele é esmagadora.

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