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Soares moveu montanhas para ajudar Salgado a ser o Dono Disto Tudo.

Neste video Mário Soares assume que ajudou a família de Ricardo Salgado a voltar a Portugal e a reaver o controlo do banco, perdido nas nacionalizações de 1975, favorecendo diplomaticamente a aliança com a francesa Crédit Agricole. Os meandros obscuros do poder. Das amizades e das influências.

A amizade entre Mário Soares e Ricardo Salgado remonta aos anos 80, quando o fundador do PS quis ajudar a família Espírito Santo a regressar a Portugal, depois das nacionalizações e do exílio no estrangeiro. O clã admitia voltar, mas debatia-se com um problema: estava sem dinheiro. Soares recorreu então à Internacional Socialista. Pediu a intervenção do amigo François Mitterrand e assim foi dado o impulso à parceria dos Espírito Santo com os franceses do Crédit Agricole, que se estendeu até 2014 e foi fundamental para a reconstrução do grupo. Não é, por isso, de estranhar que Mário Soares já tenha visitado Ricardo Salgado, o preso domiciliário mais mediático do país. SOL

“Um banco de todos os regimes”

Diz-se que era o banqueiro do regime. Mas era mais do que isso, como ele próprio admitia. Porque Salgado era o líder de um banco de origem familiar quase a completar 150 anos de existência, “um banco de todos os regimes”, pois “tem de dialogar com todos os governos e todos os regimes” – da monarquia à ditadura, do Portugal com sonhos vindos da Europa ao país da crise. Mas, dizia, tinha amigos “em todos os partidos”.

“[Salgado] Tem a secreta missão de ajudar a construir o país, e isso levou-o sempre a ser o banqueiro do regime, aquele que está sempre disponível para colaborar com os governos”, escreveu o “Diário Económico”.

O nome Espírito Santo – “a mais antiga família da alta finança do país”, lembrava o Económico no mesmo artigo – esteve sempre ligado aos regimes vigentes.

Ricardo Espírito Santo Silva, avô de Ricardo Salgado, era visto como o banqueiro do Estado Novo. O tio-avô de Salgado, Manuel Espírito Santo, chegou a ser convidado por Marcello Caetano, presidente do Conselho, para ser embaixador de Portugal nos Estados Unidos. Richard Nixon, príncipes e reis eram visitas de casa de Manuel Espírito Santo.

Até à revolução de 1974 (que obrigou o clã a sair do país – foi para o Brasil e a Suíça), os Espírito Santo estavam presentes nos mais diversos sectores da economia nacional (dos pneus ao gás, da celulose às cervejas, do cimento ao tabaco), lemos em “O Último Banqueiro”.

Com as nacionalizações de 1975, perderam quase tudo. Mas regressaram a Portugal nos anos 1980 e conseguiram recuperar ou construir de raiz diversos negócios em múltiplas áreas, da banca aos seguros, do imobiliário à energia.

Mário Soares ajudou a família a voltar em Portugal e a reaver o controlo do banco, perdido nas nacionalizações de 1975, favorecendo diplomaticamente a aliança com a francesa Crédit Agricole.

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