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Portugal em risco de catástrofes iguais ou piores a 2017

Especialistas norte-americanos dizem que “não há tempo a perder” em Portugal relativamente a incêndios. É preciso uma “intervenção sustentável e de longo prazo” que consiga evitar tantos quilómetros ardidos como em 2017.

O risco de incêndios catastróficos iguais ou piores aos de 2017 é real e tem tendência para aumentar, alertaram esta sexta-feira peritos norte-americanos que defendem que “não há tempo a perder” em Portugal.

O pior cenário antevisto no relatório apresentado esta sexta-feira no Instituto Superior de Agronomia, em Lisboa, é claro: “sem uma intervenção séria e imediata, Portugal pode esperar uma situação pior do que em 2017”.

Até 750.000 hectares podem arder. Os meios de combate nacionais entrariam em colapso. Só uma intervenção internacional em massa consegue conter as chamas.

“Na próxima década, sem uma intervenção sustentável e de longo prazo, é previsível um risco crescente de um ano extremo de incêndios, consumindo 500.000 hectares ou mais”, como os fogos de 2017, que fizeram mais de cem mortos.

“É nisto que tem de se pensar e é para isto que tem que se planear”, avisou o especialista Mark Beighley, que, com A. C. Hyde, caracterizou o que deve ser “uma nova era” para a gestão dos incêndios florestais em Portugal.

Mark Beighley sintetizou que “os portugueses são o problema e por isso podem ser a solução”, considerando que o número de fogos iniciados por milhão de habitantes é absurdo: 1.488, ou seja, seis vezes mais do que Espanha, o segundo país do sul da Europa com mais fogos por milhão, apesar de ser cinco vezes maior e ter quatro vezes mais população.

A percentagem de fogos com origem humana ronda os 98 por cento, refere-se.

O descuido e a negligência juntam-se a “um oceano de combustível inflamável” e às alterações climáticas que tendem a agravar o calor e a seca, disse Mark Beghley à agência Lusa, que estudou o panorama dos incêndios em Portugal pela primeira vez em 2004.

No seu quarto estudo, verifica que “nada substancial mudou”.

“A única coisa que vi foi aumentar o número de aviões, helicópteros e meios de combate ao fogo. Isso pode ajudar num ano normal, mas não resolveu o problema”.

As soluções propostas incluem bombeiros profissionalizados, mais jovens, mais bem pagos e com carreiras atrativas para uma profissão que é “fisicamente exigente” e que é mais necessário no interior do país, onde a população está cada vez mais envelhecida.

O planeamento tem que refletir que as épocas de incêndios podem ser esta sexta-feira em dia mais longas, com grandes períodos de calor e baixa humidade.

No ataque aos fogos, as florestas e terrenos cuidados e limpos devem ter prioridade sobre os abandonados, defendem ainda.

Os proprietários precisam de “incentivos financeiros” para colaborar na prevenção e é preciso aumentar o número de equipas de sapadores com máquinas para criar e manter caminhos corta-fogo, acrescentam.

A paisagem florestal deve ser “um mosaico” de diferentes espécies e de árvores de diferentes idades, o que ajuda a abrandar a progressão de fogos.

No que toca aos reacendimentos, responsáveis por 16% da área ardida, o consultor admitiu que com tantos fogos a que têm que dar atenção, os bombeiros não conseguem apagar definitivamente todos os fogos, defendendo que as Forças Armadas podem ser fulcrais na vigilância e rescaldo.

Mark Beghley reconheceu que falar no pior cenário é assustador, mas que as pessoas talvez “precisem de ser assustadas ao ponto de mudarem o seu comportamento”.

“Quem guia à noite pelas estradas portuguesas vê o quê? Cigarros acesos atirados pelas janelas. Quando chove, é uma coisa. Quando o tempo está quente e seco, não pode ser. As queimadas, queimar lixo…fico chocado quando vejo isso. O comportamento tem de mudar”, declarou.

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