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O critério decisivo da democracia é a possibilidade de votar contra os partidos que há 45 anos destroem o país

Karl Popper, sobre democracia, responsabilidade e liberdade.

(…)

Inicialmente, em Atenas, a democracia foi uma tentativa de não deixar chegar ao poder déspotas, ditadores, tiranos. Esse aspecto é essencial. Não se tratava, pois, de poder popular, mas de controlo popular. O critério decisivo da democracia é – e já era assim em Atenas – a possibilidade de votar contra pessoas, e não a possibilidade de votar a favor de pessoas.

Foi o que se fez em Atenas com o ostracismo. (…)

Desde o início que o problema da democracia foi o de encontrar uma via que não permitisse a
ninguém tornar-se demasiado poderoso. E esse continua a ser o problema da democracia. (…)

Numa democracia, é essencial a consciência da responsabilidade, a responsabilização daqueles que detêm o poder e o exercem. Tudo gira à volta disso.
Responsabilidade significa responder a uma acusação. É nisso que consiste, fundamentalmente, o ser responsável.
Dar respostas às criticas e afastar-se quando essas respostas não forem suficientemente convincentes.
Trata-se, por consequência, não de conduzir o povo, mas de dar satisfação ao povo. (…)

Teríamos de ser democratas, ainda que se viesse a provar ser a ditadura economicamente mais eficaz. Não devemos trocar a nossa liberdade por um prato de lentilhas! Todavia, é evidente que a democracia é mais bem sucedida, e por uma razão puramente humana. Ela é mais bem sucedida porque a iniciativa humana e a força criativa do Homem estão natural e intimamente associadas à liberdade. Só se for possível falar livremente, poderemos desenvolver as nossas ideias. Sempre que numa sociedade moderna a criatividade e a iniciativa são reprimidas, as coisas correm pior para esses países do ponto de vista económico.

(…) A riqueza é uma consequência da liberdade, da iniciativa e, sobretudo, da liberdade de expressão.
Karl Popper: “Temos pois de proclamar, em nome da tolerância, o direito de não sermos tolerantes com os intolerantes.”

(Excertos de uma entrevista de Manfred Schell a Karl Popper, publicada em exclusivo no jornal Público em 1990 – sublinhados do transcritor)

Talvez este virar de costas de alguns cidadãos para a política, seja resultado da decepção, da sua “imundice” do seu “aparelho”, da sua “porca existência”.

São os políticos de ontem e de hoje que mais têm contribuído para chegarmos à realidade actual de alheamento de muitos cidadãos da participação política. Hoje a maioria dos portugueses apenas sabem que a política não existe para servir os seus interesses, mas para servir os interesses dos próprios políticos. A história diz isso, não vale a pena tapar o sol com a peneira.

Mas também temos que reconhecer que quando os eleitores não vigiam os seus políticos, não os punem nas urnas nem os censuram, o resultado é o mesmo que o de uma empresa cujo patrão não vigia os empregados, não pune os maus, não selecciona os melhores inevitavelmente encontra o caos e a falência.

Por isso o não ir votar no dia das eleições é um perpetuar da realidade caótica que nos atinge há décadas. É dar o voto a quem vota sempre e elege os mesmos de sempre. Os mesmos que têm alternado o poder e têm conduzido o país e a descredibilização da política ao que conhecemos hoje.

Deslocar-se a uma assembleia de voto não custa nada. Fazer uma cruz num boletim de voto muito menos custa. Se pensarmos que nunca tivemos um boletim de voto com tantos quadradinhos e

Idealmente vote em consciência, mas mesmo que se sinta indeciso e pouco ciente dos benefícios do partido novo que quer votar, (O que é natural tendo em conta as manipulações diárias a que estamos sujeitos), faça uma cruz em qualquer partido novo e fora dos que tem tido mais poder na Assembleia da República, mas faça algo para ajudar a mudar!

Deixar os outros decidirem por nós é perpetuar o actual sistema, é prolongar aquilo que muitos criticam hoje. Hoje sabemos que muitos dos que promovem a abstenção nas redes sociais, são pagos pelos partidos do sistema mesmo para incutir esse argumento na nossa forma de pensar, perpetuando assim a sobrevivência dos mesmos de sempre.

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