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MORREU MEDINA CARREIRA

Medina Carreira, ex-ministro das Finanças, morreu esta segunda-feira num hospital de Lisboa. Dizia que seria incómodo até que o país se endireitasse e recusava o rótulo de “pessimista”. Tinha 85 anos.

O fiscalista e ex-ministro das Finanças, Henrique Medina Carreira, morreu esta segunda-feira, no hospital em Lisboa onde estava internado. Tinha 85 anos.

Nascido em Bissau em 1931, Medina Carreira foi subsecretário de Estado do Orçamento em 1975, durante o VI Governo Provisório, presidido por Pinheiro de Azevedo. Na altura militante do Partido Socialista — que acabou por abandonar em 1978 — foi ministro das Finanças do I Governo Constitucional, entre junho de 1976 e janeiro de 1978, um governo dirigido por Mário Soares.

Foi apoiante da candidatura de Cavaco Silva à presidência da República em 2006.

Em 2009 estreia-se com Mário Crespo num programa na SIC Notícias chamado Plano Inclinado. Passa depois para a TVI24, onde semanalmente comentava a atualidade económica e política com a moderação da jornalista Judite de Sousa. O programa intitulava-se Olhos nos Olhos.

Foi ainda autor de diversos livros, como “O Fim da Ilusão” (2011), “Portugal, Que Futuro?”, “O Dever da Verdade”, com o diretor-geral de informação da Impresa Ricardo Costa e “Olhos nos Olhos” com Judite de Sousa.

Henrique Medina Carreira foi um conceituado fiscalista, tendo dedicado grande parte da sua carreira à advocacia.

Dono de um sentido crítico muito apurado, foi muito duro nas análises que fazia à situação económica portuguesa, principalmente durante os anos da crise e do resgate da troika, tendo sempre uma visão bastante pessimista do futuro do país. Mas sempre refutou essa ideia:

Não sou pessimista. Chamam-me assim porque, para me responderem, tinham de ir trabalhar, estudar os números, raciocinar. Limitam-se a chamarem-me pessimista e dão repercussão a essa ideia. É a coisa mais estúpida deste mundo e é a fórmula cómoda de tentar anular o meu pensamento. Enquanto não vir gente capaz de tomar conta deste país, sou incómodo. Quando olho para os partidos, para estes dirigentes, não posso ser outra coisa. Os factos mostram que somos a pior economia da Europa e dos países mais endividados”, afirmava numa entrevista ao jornal Expresso, em 2009.

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