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GESTORES GANHAM 100 VEZES MAIS DO QUE TRABALHADORES

Marcelo Rebelo de Sousa mostrou-se chocado sobretudo à luz da realidade portuguesa e pediu um debate sério sobre o facto de os gestores de empresas cotadas em bolsa podem ganhar até 100 vezes mais do que os trabalhadores.

O Presidente da República lembrou, no entanto, que é comum, nas multinacionais, os gestores ganharem muito mais do que os trabalhadores. Ao mesmo tempo, reconhece que é “um problema” para Portugal, que é o quarto país com maior disparidade salarial na União Europeia. Os gestores de empresas cotadas em bolsa podem ganhar até 100 vezes mais do que os trabalhadores.

“Há uma tendência internacional para as empresas terem ordenados dos gestores que chocam flagrantemente com os vencimentos dos trabalhadores. Esse é um problema que, no caso de Portugal, se torna mais evidente por serem poucas empresas. Daí ser mais chocante esse panorama”, disse Marcelo Rebelo de Sousa aos jornalistas, à margem de um evento das Forças Armadas, no Porto.

Ainda assim, diz é preciso debater seriamente o problema não afetando as PME.

“Tem de se encontrar uma forma de debate seriamente o problema, olhando para essas empresas e vendo até pelo seu capital internacional o que é preciso ser corrigido e como precisa ser corrigido de uma forma que tenha presente a justiça social”, acrescentou.

O Diário de Notícias revelou, esta terça-feira, que em 2016, quem estava à frente das empresas portuguesas presentes na bolsa ganhou, em média, 876 mil euros. De acordo com o mesmo jornal, é na Jerónimo Martins que existe a maior discrepância entre o cimo e o fundo dessa pirâmide. Pedro Soares dos Santos, CEO (presidente executivo) da dona do Pingo Doce, arrecadou 1,269 milhões de euros no ano passado, mas a média salarial do grupo é de apenas 12.500 euros por trabalhador. Na prática, o gestor ganhou 101 vezes mais.

Já o salário do CEO da Sonae, Paulo de Azevedo, foi 38 vezes superior ao rendimento médio dos funcionários.

Já na Galp e nos CTT, cada um dos presidentes executivos ganha 30 vezes mais do que os trabalhadores.

António Mexia, presidente da EDP, continua a ser o gestor mais bem pago. Ganhou mais de 2 milhões de euros entre remuneração fixa e variável. Um valor 11% superior ao de 2015.

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