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Cada pessoa paga 258€ por ano para poder usar o seu dinheiro

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A maior parte das pessoas nem imagina, mas cada pagamento com cartão de débito implica um custo de 20 cêntimos para o consumidor, e uma transação com notas e moedas é mais cara, 24 cêntimos.

A sociedade portuguesa – consumidores, comerciantes e bancos – suporta um custo total de 2,7 mil milhões de euros por ano para poder usar o dinheiro (o euro) através das diversas formas de pagamento (notas e moedas, cheques, cartões, débitos diretos e transferências bancárias).

O valor, calculado pelo Banco de Portugal para 2013, significa que o custo social do dinheiro equivale a 1,6% do Produto Interno Bruto (PIB); em média, cada habitante pagou nesse ano 258 euros para poder fazer as suas transações, compras e vendas de bens e serviços.

A terceira edição do estudo “Os Custos sociais dos instrumentos de pagamento de retalho em Portugal”, que faz o retrato do uso dos meios de pagamento em Portugal, mostra pela primeira vez como é que os consumidores, além da banca e das empresas, suportam os diversos custos associados ao uso do dinheiro.

Segundo esse trabalho, divulgado nesta quinta-feira, o débito direto é, naturalmente, “o instrumento com menor custo unitário para os consumidores, no valor de 3 cêntimos por pagamento”.

Mas tendo em conta todos os pagamentos feitos com cartão de débito, estes surgem “como a segunda opção mais económica para os consumidores” (20 cêntimos por utilização), abaixo do numerário que implicou um custo unitário de 24 cêntimos por pagamento feito com notas e moedas.

Apesar das comissões cobradas nos cartões de débito (54% do custo total deste instrumento de pagamento), estes cartões acabam por sair mais baratos aos consumidores porque permitem uma grande poupança de tempo face a outros meios de pagamento (menos de 1 minuto por transação), sustenta o estudo.

O CUSTO ESCONDIDO DAS NOTAS E MOEDAS

E como se explica que o uso de notas e moedas implique um custo? O banco central diz que tem a ver, essencialmente, com o dispêndio de tempo para realizar a transação.

Em média, cada vez que se faz um pagamento com dinheiro vivo, o consumidor gasta cerca de dois minutos do seu tempo. Isto traduz-se num custo de oportunidade: quanto ganharia ele se em vez de ter usado esse tempo a pagar coisas, tivesse auferido um rendimento equivalente?

O custo do tempo despendido a pagar coisas varia, mas em média, é o tempo que mais agrava o custo dos consumidores com as transações; e bem mais do que as comissões bancárias, refere o Banco de Portugal. O tempo explica 78% do custo total; as comissões bancária apenas 22%, considerando todos os instrumentos de pagamento.

“Os custos dos consumidores correspondem à valorização do tempo necessário para efetuar o pagamento com determinado instrumento e às comissões pagas aos bancos. Globalmente, as comissões pagas aos bancos ascenderam a cerca de 253 milhões de euros e a valorização do tempo necessário para efetuar os pagamentos a 886 milhões de euros.”

Assim, continua o banco, “os custos de tempo assumem maior relevância no caso do numerário (98% dos custos) e das transferências a crédito (77%). As comissões suportadas pelos consumidores foram particularmente significativas no cartão de crédito (89%) e nos cheques (76%)”.

USAR CHEQUES E CARTÕES DE CRÉDITO É O MAIS CARO

Continuando com os exemplos para os consumidores. Cada transferência bancária (“transferências a crédito”) implicou um custo de 61 cêntimos e o cartão de crédito de 85 cêntimos custou por pagamento.

“Os cheques, com um custo de 2,05 euros por pagamento”, foram o instrumento mais caro e também o que teve menor utilização.

O uso de cheques está totalmente em declínio: o uso de cartões e de transferências é, em contrapartida, cada vez mais popular.

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