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BENFICA – VEJA COMO FUNCIONAVA O ALEGADO ESQUEMA DE PAULO GONÇALVES

Director jurídico dos encarnados foi detido na terça-feira de manhã por suspeita de corrupção no âmbito do “caso dos e-mails”. José Silva e Júlio Loureiro terão dado informações sigilosas a Paulo Gonçalves.

Paulo Gonçalves está no epicentro do terramoto judicial que deixou a Luz a abanar nas últimas horas. Depois de ter passado a noite no estabelecimento prisional da Polícia Judiciária em Lisboa, o director jurídico dos encarnados vai ser presente a um juiz nesta quarta-feira, pelas 14 horas, para primeiro interrogatório.

O director jurídico é suspeito de corrupção ativa e passiva, ao, alegadamente, subornar funcionários judiciais para ter acesso a documentos abrangidos pelo segredo de justiça e relacionados com o “caso dos e-mails”.

Estes funcionários terão recebido bilhetes, camisolas e outro tipo de merchandising do clube encarnado a troco dos serviços prestados.

O alegado esquema montado por Paulo Gonçalves terá tido como intermediário o amigo Óscar Cruz, empresário ligado ao futebol e que terá funcionado como intermediário entre o director jurídico dos encarnados e os dois funcionários, também constituídos arguidos.

Um deles é José Silva, técnico de informática do Instituto de Gestão Financeira e Equipamento da Justiça (IGFEJ), que terá sido o primeiro a fornecer a Paulo Gonçalves informações relacionadas com o “caso dos e-mails”, apenas uma semana depois de este ter sido formalmente registado no Departamento de Investigação e Acção Penal (DIAP) de Lisboa.

Na terça-feira, o Benfica negou que tenha contratado um sobrinho de José Silva para trabalhar no Museu Cosme Damião.

O terceiro arguido é o antigo árbitro e ex-observador Júlio Loureiro, actualmente funcionário do Tribunal de Fafe, um dos locais alvo de buscas. Também este funcionário terá dado informações a Paulo Gonçalves constantes no processo relativo ao “caso dos e-mails”, além de outras informações sobre os rivais FC Porto e Sporting.

Júlio Loureiro esteve ligado à despromoção do árbitro da Madeira Marco Ferreira, ao atribuir-lhe uma das notas mais baixas de sempre após a derrota do Benfica em Braga, por 2-1, na época 2014/15.

Os três arguidos são suspeitos da prática dos crimes de corrupção activa e passiva, acesso ilegítimo, violação de segredo de justiça, falsidade informática e favorecimento pessoal.
Perto de 30 buscas

Em causa está a prática de acessos por funcionários a diversos inquéritos em segredo de justiça para obtenção de informação sobre diligências em curso, informações que eram depois transmitidas a troco de vantagens.

A operação, denominada e-toupeira, envolveu cerca de 50 elementos da Polícia Judiciária, um juiz de instrução criminal, dois magistrados do Ministério Público e peritos informáticos.

No total, foram realizadas perto de 30 buscas nas áreas do Porto, Fafe, Guimarães, Santarém e Lisboa que levaram à apreensão de relevantes elementos probatórios: 6 buscas domiciliárias, 1 busca a gabinete de advogado e 21 mandados de buscas não domiciliárias.

A investigação, iniciada há quase meio ano e que prossegue, “averigua o acesso ilegítimo a informação relativa a processos que correm termos nos tribunais ou Departamentos do Ministério Público a troco de eventuais contrapartidas ilícitas a funcionários”.

O inquérito encontra-se em investigação na 9ª secção do DIAP de Lisboa (secção distrital), com o apoio da PJ-UNCC e colaboração do IGFEJ.

Paulo Gonçalves foi constituído arguido no “caso dos e-mails” em 19 de outubro, na sequência de buscas da Policia Judiciária ao clube.

Desde maio que o director de comunicação do FC Porto, Francisco J. Marques, tem acusado o Benfica de influenciar o sector da arbitragem e apresentou alegadas mensagens de correio electrónico de responsáveis encarnados, nomeadamente de Paulo Gonçalves e Luís Filipe Vieira.

O Benfica saiu em defesa do seu diretor jurídico, acreditando que Paulo Gonçalves vai “provar a legalidade dos seus procedimentos”.

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