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ASSOCIAÇÃO SEM FINS LUCRATIVOS PAGA VESTIDOS CAROS, BMW E VIAGENS

A Polícia Judiciária está a investigar a gestão financeira da associação sem fins lucrativos Raríssimas, que apoia, ao todo, 800 mil crianças e adultos portadores de doenças menos comuns, e que vive de donativos e subsídios do Estado.

Uma investigação jornalística, divulgada neste sábado à noite pela TVI, põe em xeque a gestão da presidente da associação, Paula Brito e Costa, e questiona o papel do atual secretário de Estado da Saúde enquanto consultor da instituição e da deputada socialista Sónia Fertuzinhos, que terá usufruído de uma viagem paga pela Raríssimas.

As centenas de documentos que suportam a reportagem – assinada pela jornalista Ana Leal e que conta com os testemunhos de dois antigos tesoureiros da associação – revelam mapas de deslocações fictícias, duplicação de faturas de gasolina, viagens ao estrangeiro e elevados gastos pessoais em supermercados e centros comerciais.

“Eram (vestidos) caros e pagos com o cartão de crédito que estava em nome da presidente mas que era pago pela Raríssimas”, explicou Ricardo Chaves, tesoureiro da instituição entre 2016 e 2017, que se demitiu depois de ver barrado, por Paula Brito e Costa, o acesso a contas e documentos. “Como tesoureiro, não poderia concordar e daí ter apresentado a minha demissão”, rematou.

De acordo com documentos divulgados, a prestação de um BMW, para uso pessoal da presidente, custa à instituição 900 euros por mês. “Além da imoralidade do valor da viatura (…) em termos fiscais, deveria pagar IRS e Segurança Social, uma vez que é para uso pessoal”, aponta Ricardo.

O testemunho de Jorge Nunes, tesoureiro entre 2010 e 2016, vai ao encontro do relatado pelo sucessor: “Comecei a ver que havia despesas disto e daquilo (…) e comecei a perceber realmente que o intuito não é bem trabalharmos para os meninos, mas trabalharmos também para nós”.

Aos três mil euros de ordenado base que caem na conta de Paula Brito e Costa, juntam-se, todos os meses, 1300 euros em ajudas de custo isentas, valor semelhante em deslocações (em abril, apresentou despesas de 1500 euros em viagens entre casa e trabalho) e mais de 800 euros num Plano Poupança Reforma (PPR). Num recibo de vencimento a que a TVI teve acesso, referente a janeiro, acresce ainda 1900 euros em férias não gozadas.

Secretário de Estado nega participação em decisões financeiras

O atual secretário de Estado da Saúde, Manuel Delgado, foi contratado, em 2013, para assumir funções de consultor na Raríssimas. À TVI, Manuel Delgado garantiu, por escrito, nunca ter participado em decisões de financiamento, esclarecendo que apenas dava colaboração técnica na organização e nos serviços de saúde da Casa dos Marcos (Moita), onde de encontram várias unidades da Raríssimas.

Questionado sobre se tinha conhecimento da situação financeira da instituição, nomeadamente sobre a hipótese de o ordenado que recebia ter sido pago com subsídios destinados ao apoio de doentes, o governante não respondeu. E também não esclarece o valor do ordenado auferido.

Raríssimas pagou viagem à deputada Sónia Fertuzinhos

Segundo Jorge Nunes, que assumiu o cargo de tesoureiro entre 2010 e 2016, a deputada socialista Sónia Fertuzinhos, mulher do ministro Vieira da Silva, fez uma viagem à Noruega oferecida pela Raríssimas. “Paga e não digas mais nada. E eu paguei”, disse o antigo funcionário, em entrevista. A deputada recusou ser entrevistada.

Fonte: JN

RARÍSSIMAS GANHA PRÉMIO MANUEL ANTÓNIO DA MOTA 2016
O presidente da República entregou, este domingo, no Porto o Prémio Manuel António da Mota, no valor de 50 mil euros, à Raríssimas – Associação Nacional de Deficiências Mentais e Raras.

A Raríssimas foi criada em 2002, tem a sede em Lisboa, e tem por missão “apoiar doentes e famílias que convivem de perto com as doenças raras, procurando entre outros objetivos a divulgação, informação e sensibilização pública sobre as doenças raras.

Com o seu “Espaço de Capacitação Rara”, a instituição vencedora do primeiro prémio desenvolve um projeto de “coaching e mentoring, apoio à capacitação e empregabilidade e um conjunto de ações de sensibilização e informação procurando, no primeiro eixo, a promoção da melhoria da qualidade de vida através de um programa individualizado de intervenção”.

A Associação Inspirar recebeu o terceiro prémio Manuel António da Mota, no valor de 10 mil euros, enquanto o segundo prémio Manuel António da Mota foi entregue à SAOM – Serviços de Assistência Organizações de Maria -, no valor de 25 mil euros.

“É bom que haja prémios como este, porque são, em si mesmo, pedagógicos para projetos de Solidariedade Social que todos os dias nascem ou se reformulam”, disse Marcelo Rebelo de Sousa, afirmando que o “presidente da República de Portugal está eternamente grato” a instituições de Solidariedade Social.

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