Enviar ArtigoGostou do nosso site? Então contribua com um artigo!

8 FUNCIONÁRIAS ACUSAM MÉDICO DE ASSÉDIO SEXUAL

8-funcionarias-acusam-medico-de-assedio-sexual

Trabalham na Unidade de Saúde Pública e queixaram-se do seu coordenador. ARS Norte confirma processo e advogado do visado nega acusações.

Piropos, apalpadelas, tentativas constantes de agarrar e beijar. Há pelo menos oito trabalhadoras que já denunciaram situações destas. O alegado autor de assédio sexual é o coordenador da Unidade de Saúde Pública (USP) do Agrupamento de Centros de Saúde Póvoa de Varzim/Vila do Conde (ACES).

Face à gravidade da situação, o Serviço de Segurança e Saúde no Trabalho da Administração Regional de Saúde (ARS) Norte recomendou a reestruturação daquela unidade em maio, mas a verdade é que, volvidos cinco meses, foi instaurado um processo disciplinar, mas sem efeitos suspensivos. O médico em causa, Rui Jorge Costa, 63 anos, continua ao serviço e a chefiar as alegadas vítimas. A ARS Norte confirma, apenas, que há um processo em curso. O advogado do médico, António Herdeiro, diz que ele nega tudo e que vai avançar com queixas-crime.

“São piropos, passar as mãos no rabo das pessoas, tentativas de agarrar e beijar funcionárias e até pôr as pessoas a ver filmes pornográficos. Há mesmo situações que foram presenciadas por outras colegas”, contou, ao JN, uma das presumíveis vítimas, que acrescenta que entre as queixosas há desde empregadas de limpeza a médicas.

Em maio último, um grupo de trabalhadoras decidiu queixar-se ao Serviço de Segurança e Saúde no Trabalho (SSST) da ARS Norte. Em informação enviada a 20 de maio à diretora do ACES, Judite Neves, o médico daquele serviço diz que as queixosas (frisando que foram “várias” as ouvidas) relatam situações que indiciam assédio sexual.

Diz ainda que “a fragilidade da situação laboral das trabalhadoras” foi “fator facilitador do assédio” e que o facto de a maior parte dos casos terem acontecido quando o clínico estava sozinho com uma das alegadas vítimas tornou “difícil ter provas e testemunhos”. A isto juntou-se o “receio de retaliações e o medo” que não acreditassem nelas”.

O relatório aconselha a reestruturação da Unidade de Saúde Pública. Mas a verdade é que, volvidos cinco meses, há apenas um processo disciplinar em curso contra Rui Jorge Costa. “Não dá para perceber como é que ele continua a trabalhar com as alegadas vítimas”, diz ainda a mulher, que prefere manter o anonimato. Há, garante, quem esteja de baixa e quem já tenha pedido para trocar de serviço. “Pensamos sempre que são coisas que só acontecem aos outros. Depois quem não “aceita” é humilhado, maltratado e colocado a fazer os “piores” serviços”, frisou.

Se do ACES há recusa em comentar o caso, o advogado do médico Rui Jorge Costa disse, ao JN, que o clínico “nega perentoriamente todas as acusações” e já deu instruções para que avance “com uma queixa-crime contra os autores da denúncia”, um processo que “será levado às últimas consequências”.

Comentar este artigo

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *